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CLAUDIA reúne líderes para discutir o papel das mulheres na mídia e na sociedade

14h23 10/03/2017

Qual é o papel da mulher na mídia? Qual a sua influência na sociedade? Na véspera do Dia Internacional da Mulher, em 7 de março, a revista CLAUDIA, do Grupo Abril, reuniu mulheres que ocupam posições de liderança em diferentes áreas do mercado (de publicidade ao entretenimento, passando pelas redações e universo digital) para falar sobre a representatividade feminina. O “Mulheres na Mídia” foi patrocinado pela SEARA e dividido em cinco painéis, durante todo o dia, e contou com a presença de centenas de mulheres que lotaram o auditório do Hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo.

 

O jornalismo é pautado pela notícia e não por gêneros

O primeiro painel do dia, “Os homens dominam o hard news e as opiniões”, trouxe Thaís Oyama, redatora-chefe de VEJA,afirmando que “o jornalismo ainda é pautado pela notícia, e não por gêneros”. Malu Gaspar, repórter da revista Piauí e autora de “Tudo ou Nada – Eike Batista e a verdadeira história do Grupo X”, ponderou. “As mulheres ainda são pouco representadas no noticiário econômico”, disse. No entanto, para Sheila Magalhães, editora executiva da rádio Band News FM, esse cenário vem mudando. “É um debate muito importante que não podemos deixar passar. Hoje as redações, de maneira geral, têm um número bem maior de mulheres do que no passado”, revelou.

 

Representatividade no universo digital

Na sequência, a ativista e colunista digital de CLAUDIA, Alexandra Loras, lembrou que mais da metade dos vídeos assistidos pela internet tem conteúdo pornográfico, no qual a mulher é sempre inferiorizada. Outro tema do painel tratou da questão dos haters no ambiente digital. Para a head do YouTube Brasil, Fernanda Cerávolo, o assunto é responsabilidade das plataformas. Por isso, para combater situações de ódio, contou que a empresa mantém programas bastante focados e, para mantê-los, conta com a curadoria feminina. “Há um esforço muito grande dentro do Google para colocar mulheres em cargos de liderança, desde as posições de entrada. Não adianta a gente combater somente o topo da cadeia, temos que começar pela base. Sem diversidade não há inovação, e aí a empresa morre”, garante.

Para a diretora geral do Twitter no Brasil, Fiamma Zarife, 30% da liderança global do microblog é formada hoje por mulheres. “Diferentemente das outras redes sociais, não há uma bolha dentro do Twitter, temos um público diverso. É uma plataforma aberta e pública onde as pessoas se conectam livremente para expressar suas opiniões, seus diferentes pontos de vista. Você segue quem quiser sem precisar de autorização”, explica.

 

Mulheres e entretenimento

Em “O Papel das Mulheres no Entretenimento”, terceiro painel do dia, a atriz Taís Araújo disse ser “a exceção que só serve para comprovar a regra” – referência a seu papel, único, de mulher negra a protagonizar novelas e ser convidada para inúmeras capas de revista no Brasil. “Quando olho para trás não vejo o mesmo investimento em minhas colegas como em mim”, garante. A também atriz Maria Clara Spinelli, que estrelou o filme Quanto Dura o Amor? não admite que sua sexualidade seja colocada à frente de quem ela realmente é. “Quero ser respeitada por quem eu sou. Sou uma atriz e minha profissão não é ser trans nem fazer shows”, comenta.

Participando do mesmo debate, Daniela Mignani, diretora geral do GNT, falou sobre os desafios de contribuir com essas mulheres estando atrás das câmeras e sendo a responsável pela criação de uma programação que seja representativa. “Estamos sempre atentas sobre o que vem nessa jornada de conscientização feminina para reparar erros do passado, e fazemos isso errando muitas vezes. À medida em que os espaços são abertos a gente tenta e provoca. Trabalhamos para que essas discussões sejam melhor representadas e tratamos a beleza como ato político”, conta.

 

A publicidade e o reforço de estereótipos

O quarto painel abordou um tema delicado. “A busca deve ser sempre pela equidade dos gêneros e não dos estereótipos”, disse a diretora de planejamento da Heads Propaganda, Carla Alzamora. A CO-Presidente do Havas Creative Group Brasil e fundadora e CO-CEO da BETC São Paulo, Gal Barradas, aponta soluções. “Cultura é tudo, mas depende de uma visão de longo prazo que deve começar na alta gestão”, disse. De acordo com Joanna Monteiro, chief creative officer da agência FCB Brasil, o país retrocedeu no tema. “É preciso mudar o jeito de pensar nas agências”, propôs.

 

A aparência é o que conta?

Para as mulheres, a aparência conta tanto quanto a competência? No último painel do evento, a jornalista, consultora editorial e autora da coluna “Mulher S.A.” de CLAUDIA, Cynthia Almeida, disse que tudo deve ter um contexto e uma temperatura. “Nesse sentido, ainda vivemos num mundo em que as mulheres sentem a necessidade de aprovação”, afirmou. Na opinião de Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da PepsiCo Brasil Foods, “a cobrança em termos de aparência é maior sobre a mulher”. Segundo ela, para haver a inclusão feminina em cargos de liderança, é necessário haver primeiramente consistência nas contratações de mulheres em posições de base.

Participaram também dos painéis, Patricia Kamitsuji, managing diretor da Fox Warner Brasil; Vera Egito, cineasta e roteirista de “Elis”; Laura Chiavone, publicitária, strategic thought leader, cultural hacker, diversity enthusiast; e Daniela Schmitz, vice-presidente executiva de engajamento para marketing da Edelman Significa.